A PADECEME é uma publicação semestral da Divisão de Doutrina da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), de natureza acadêmica, sem fins lucrativos, baseada na política de acesso livre à informação.

v. 21 n. 35 (2025): Operação Taquari 2

O ano de 2024 ficará marcado na história do Brasil pelo enfrentamento de uma das maiores tragédias climáticas já ocorridas no Rio Grande do Sul. Entre o final de abril e o início de maio, chuvas intensas provocaram enchentes devastadoras, isolando cidades, destruindo infraestruturas e afetando centenas de milhares de pessoas. Diante da magnitude da crise, foi ativada a Operação Taquari II, reunindo Forças Armadas, agências civis e organismos de segurança pública em um esforço conjunto de ajuda humanitária. A operação revelou, mais uma vez, a capacidade de adaptação, integração e liderança do Exército Brasileiro em cenários de alta complexidade.

O primeiro relato destaca a coordenação geral da cadeia logística pelo Centro de Coordenação de Operações Logísticas do Comando Logístico, que, a partir de Brasília, integrou fluxos de suprimento, transporte e manutenção para garantir o envio de meios críticos às áreas afetadas. O desafio incluiu o gerenciamento simultâneo de recursos oriundos de diferentes regiões do país, a compatibilização de esforços interforças e a interação permanente com órgãos civis, assegurando que cada missão fosse atendida com presteza e eficácia.

No segundo artigo, a 3ª Região Militar apresenta a contribuição do Sistema de Saúde Militar na operação de forma minuciosa. Estruturado para atuar em cenários de guerra, o sistema mostrou-se igualmente eficaz em ambiente humanitário, com a montagem de hospitais de campanha, deslocamento de equipes médicas e distribuição de insumos vitais. Além de atender militares e civis, o apoio sanitário incluiu o fornecimento de vacinas, medicamentos e equipamentos, evidenciando a capacidade expedicionária e a integração com a saúde pública.

O terceiro texto aborda o papel do 4º Grupamento de Engenharia, cuja ação foi decisiva para a reabertura de acessos, reconstrução de pontes provisórias e desobstrução de vias. As intervenções possibilitaram o fluxo de pessoal, suprimentos e veículos, contribuindo para o restabelecimento mínimo da mobilidade nas áreas isoladas. A expertise técnica, aliada à prontidão operacional, garantiu que obras emergenciais fossem executadas mesmo sob condições climáticas adversas e com recursos limitados.

O quarto relato concentra-se na atuação do 3º Grupamento Logístico, que estruturou um amplo esforço de suprimento, transporte e salvamento, empregando diretamente suas unidades subordinadas. Diante da sobrecarga de demandas, foi criada a 3ª Companhia de Transporte, reunindo meios de diversas organizações para dar vazão ao intenso fluxo de missões. De donativos e hospitais de campanha a resgates em áreas inundadas, a logística foi determinante para a sustentação da operação.

Por fim, no quinto texto o Comando Militar do Sul apresenta a formação e atuação do Estado-Maior Conjunto da Operação, que funcionou como centro de coordenação e integração interagências. Baseado em doutrina atualizada e inspirado em modelos internacionais, o órgão operou como um sistema adaptativo complexo, garantindo que decisões fossem tomadas e executadas com agilidade e coerência. A interoperabilidade com órgãos civis e a capacidade de ajustar planos em tempo real foram fatores-chave para o êxito da missão.

A Operação Taquari II mostrou que, diante de um cenário marcado por volatilidade, incerteza e complexidade, a força do Exército Brasileiro reside na união de suas capacidades logísticas, técnicas e humanas. Cada organização, dentro de sua vocação e especialidade, contribuiu para salvar vidas, restabelecer condições mínimas de normalidade e oferecer esperança à população atingida. O êxito alcançado é resultado da soma de esforços, da liderança orientada por propósito e do compromisso inabalável com a missão.

Publicado: 2026-01-22

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