Levinas e a necessidade da alteridade na formação militar
DOI:
https://doi.org/10.52781/cmm.a182Palavras-chave:
alteridade, Emamanuel Levinas, formação militar, ontologia, diferençaResumo
Este artigo tem como objetivo analisar de que maneira o conceito de alteridade, desenvolvido por Emmanuel Levinas, pode subsidiar uma reflexão crítica acerca dos discursos e práticas que estruturam a formação acadêmica militar, com especial atenção aos efeitos éticos decorrentes da padronização das subjetividades e da negação da diferença no processo formativo. A proposta filosófica de Levinas caracteriza-se por uma crítica à ontologia ocidental, a qual, ao privilegiar a totalidade e a identidade do ser, marginaliza a alteridade e impossibilita o reconhecimento do outro enquanto outro. Para o autor, o sujeito que escapa à lógica do “eu” é comumente capturado por categorias totalizantes, nas quais a diferença é anulada em nome da unidade conceitual. No contexto da formação militar, observa-se uma tendência à homogeneização de condutas e comportamentos, orientada por discursos que visam suprimir as singularidades individuais em prol da eficácia coletiva. Essa supressão, à luz da filosofia levinasiana, configura uma forma de violência filosófica, pois desconsidera a dimensão ética fundamental da relação com o outro. A metodologia adotada neste artigo organiza-se em quatro etapas interdependentes: 1) exposição da crítica de Levinas à ontologia ocidental, responsável pela redução conceitual dos entes e da própria alteridade; 2) exame dos conceitos de alteridade, desejo e infinito como fundamentos da subjetividade ética; 3) discussão da categoria do rosto como expressão da diferença e instância que convoca o sujeito à responsabilidade pelo outro; e 4) análise crítica dos discursos formativos no meio militar à luz da ética levinasiana, com ênfase na forma como esses discursos desautorizam a alteridade e inibem o reconhecimento da responsabilidade para com o outro.
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