Manobra Collechio–Fornovo di Taro: a infantaria motorizada e a evolução da arte da guerra

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Carlos Eduardo Gomes de Queiroz

Abstract

A Segunda Guerra Mundial teve como Teatros de Operações a Europa, o Norte da África e os Oceanos Pacífico e Atlântico, abarcando ponderável porção do globo terrestre e muitos países nos cinco continentes. Após um processo de intensas negociações políticas, econômicas e ideológicas, o Brasil decidiu por enviar tropas, aviões e navios militares para lutarem em solo italiano e no Atlântico Sul. Apesar do vulto e da magnitude para o Brasil, um pais, à época, notadamente agrícola, distante da Europa, com Forças Armadas modestas e governado por um ditador, a historiografia sobre a sua participação direta e efetiva no conflito na Europa dá pouca ênfase em certas batalhas. O autor ficou instigado com a Batalha de Collechio–Fornovo quando, no ano de 1995, tomou conhecimento de um livro de autoria sul-africana, encontrado em uma biblioteca de Johanesburgo (África do Sul), no qual era destacada a referida batalha. Atualmente, constata-se que o sítio eletrônico Wikipedia editável nos Estados Unidos da América é muito mais rico em detalhes do que o brasileiro. Sendo assim, o presente trabalho tem por objetivo geral identificar que, durante a manobra para conquistar sucessivamente as
localidades italianas de Collechio e de Fornovo di Taro, a Força Expedicionária Brasileira, durante a Segunda Guerra Mundial, dotou a sua infantaria de meios motorizados para realizar ações táticas, fato inédito na doutrina militar brasileira e que, por conseguinte, inovou para contribuir para a evolução da arte da guerra. Para tanto, foi realizada uma investigação qualitativa, por meio de uma revisão bibliográfica, para esclarecer, inicialmente, do que se trata doutrina militar, sobre a dotação de efetivo e de meios blindados e motorizados da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, sobre a evolução da doutrina militar no Brasil até 1945 e sobre as operações militares conduzidas pelo general Mascarenhas de Moraes e seu estado-maior, particularmente as que tiveram palco as duas cidades italianas mencionadas. Para tanto foram destacadas definições de doutrina militar, consideradas como de relevância, e foram utilizadas obras que tiveram o cuidado de pesquisarem em fontes primárias, entre depoimentos, documentos oficiais e relatos dos pracinhas, inclusive dos comandantes militares nacionais e dos comandantes enquadrantes para descreveram os fatos acontecidos no período compreendido pelos anos de 1943 a 1945.

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Gomes de Queiroz, C. E. . (2025). Manobra Collechio–Fornovo di Taro: a infantaria motorizada e a evolução da arte da guerra. Bellum - Revista Do Centro De Estudos E Pesquisas De História Militar Do Exército, 2(1). Retrieved from https://ebrevistas.eb.mil.br/BELLUM/article/view/13690
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