ECEME 120 anos
Vol. 21 Núm. 34 (2025)
Foi com grande satisfação que recebi a proposta do Gen Sassone para prefaciar o PADECEME que comemora os 120 anos da Escola Marechal Castello Branco.
Exerci o honroso Comando da ECEME entre março de 2018 e fevereiro de 2019. Minha saída do cargo ocorreu muito antes do que eu desejava, em função do irrecusável convite para ser Chefe de Gabinete do Ministro de Estado da Defesa, função que exerci entre janeiro de 2019 e julho de 2020.
No período passado à frente de nossa Escola, pude comprovar o altíssimo nível de seus corpos docente e discente. Sempre enfatizava com nossos alunos que o oficial do QEMA deve buscar a solução de problemas inéditos e buscar a constante evolução do Exército Brasileiro.
Nessa revista, teremos a oportunidade de ler artigos de importantes chefes militares, que discorrem sobre diversos temas de nosso cotidiano “ecêmico”.
Inicialmente, o Cel Lucas, antigo e respeitado instrutor, celebra os 120 anos da ECEME, fundada em 1905 como Escola de Estado-Maior (EMM) e hoje reconhecida como centro de excelência na formação de líderes militares de alto nível. O texto destaca a importância do centenário, celebrado em 2005, como marco que revitalizou tradições e consolidou novos valores institucionais, como a denominação histórica “Escola Marechal Castello Branco”.
A ECEME tem papel crucial na modernização do Exército Brasileiro, adaptando-se às mudanças tecnológicas, políticas e sociais ao longo de mais de um século. Durante as Grandes Guerras e conflitos subsequentes, a Escola preparou oficiais para missões complexas, expandindo seu currículo para incluir ciências sociais, relações internacionais e gestão. A partir da década de 1970, reforçou o compromisso com a formação integral dos oficiais, abrangendo aspectos técnicos, éticos e humanos.
O artigo conclui que, após 120 anos, a ECEME mantém-se comprometida com a formação de líderes militares preparados para os desafios do século XXI, preservando sua memória institucional e promovendo inovação e cooperação internacional.
Em seguida, o Gen Sérgio, Comandante entre abril de 2011 e dezembro de 2012, aborda os desafios enfrentados pelo Comando da ECEME em um cenário de transformação do Exército Brasileiro. O autor destaca a necessidade de adaptação contínua diante de mudanças tecnológicas, doutrinárias e sociais, que impactam a formação dos oficiais e a estrutura da Escola.
O texto ressalta a importância da liderança em um ambiente complexo e dinâmico, onde o comando deve equilibrar tradição e inovação, mantendo o foco na excelência acadêmica e na preparação dos alunos para missões cada vez mais desafiadoras. O autor discute a importância da integração entre diferentes áreas do conhecimento, a valorização da pesquisa e o estímulo ao pensamento crítico.
O artigo também reflete sobre a necessidade de fortalecer a cooperação com outras instituições militares e civis, promovendo o intercâmbio de experiências e o desenvolvimento de competências estratégicas. O Comando da ECEME é visto como um agente de mudança, responsável por guiar a Escola em um contexto de evolução e modernização do Exército Brasileiro.
No próximo artigo, o Gen Elias, Comandante entre fevereiro de 2015 e setembro de 2016, analisa a trajetória da ECEME como instituição em constante transformação. O autor destaca a capacidade da Escola de se reinventar ao longo dos anos, incorporando novas tecnologias, metodologias pedagógicas e abordagens interdisciplinares.
O texto aborda a importância da atualização curricular, o uso de ferramentas digitais e a promoção de um ambiente de aprendizagem colaborativo. O autor ressalta o papel da ECEME na formação de líderes capazes de atuar em cenários complexos e incertos, preparando-os para desafios contemporâneos, como a segurança cibernética e a cooperação internacional, concluindo que, ao longo de sua história, a Escola tem se mostrado resiliente e adaptável, mantendo-se na vanguarda da educação militar no Brasil.
Na sequência, o Gen Richard, Comandante entre setembro de 2016 e março de 2018, discute a ECEME como “Escola do Método”, destacando sua contribuição para o desenvolvimento do pensamento estratégico e tático no Exército Brasileiro. O autor analisa a evolução dos métodos de ensino e pesquisa ao longo dos anos, enfatizando a importância da metodologia científica e do rigor acadêmico.
O texto ressalta que a ECEME é reconhecida por sua capacidade de sistematizar conhecimentos e desenvolver estratégias eficazes para a tomada de decisão. O autor destaca o papel da Escola na formação de oficiais críticos, capazes de analisar problemas complexos e propor soluções inovadoras, sendo um centro de referência para o desenvolvimento do pensamento estratégico no Brasil e contribuindo para a modernização e fortalecimento do Exército.
Já o Gen Vergara, Comandante entre fevereiro de 2019 e setembro de 2020, aborda os desafios enfrentados pela ECEME durante a pandemia de COVID-19. O autor destaca a necessidade de adaptação rápida diante das restrições impostas pela crise sanitária, como a adoção do ensino remoto e a manutenção das atividades acadêmicas em um ambiente virtual.
O texto ressalta o compromisso da Escola em garantir a continuidade do ensino e a formação dos oficiais, mesmo em condições adversas. O autor discute as lições aprendidas com a pandemia, como a importância da flexibilidade, da inovação tecnológica e do apoio à saúde mental dos alunos e docentes, concluindo que a ECEME demonstrou resiliência e capacidade de adaptação, reforçando seu papel como instituição de excelência em educação militar.
Finalmente, o Gen Márcio, Comandante entre setembro de 2020 e abril de 2022, analisa a criação da Seção de Liderança e História da ECEME, destacando sua importância para a preservação da memória institucional e o desenvolvimento do pensamento estratégico. O autor discute o papel da Seção na promoção de estudos sobre liderança, história militar e valores institucionais.
O texto ressalta a contribuição da Seção para a formação de líderes éticos e comprometidos, capazes de enfrentar os desafios contemporâneos. O autor destaca a importância da pesquisa histórica e do estudo de casos para o aprimoramento da liderança no Exército Brasileiro, chegando à conclusão que a Seção de Liderança e História é fundamental para o fortalecimento da identidade institucional da ECEME e para a formação de oficiais preparados para liderar em cenários complexos.
Ao iniciarmos o segundo quartil do século XXI, podemos dizer que a história não terminou como afirmava Francis Fukuyama, em 1989. Os diversos conflitos existentes no planeta tendem a dar razão a Carl von Clausewitz, que ainda no século XIX escreveu no Livro VIII do Da Guerra:
“A guerra é simplesmente a continuação do intercâmbio político com a adição de outros meios. Usamos deliberadamente a expressão “com a adição de outros meios”, pois queremos deixar claro que a guerra em si não interrompe o intercâmbio político, nem o transforma em algo completamente distinto. Esse intercâmbio continua essencialmente o mesmo, independentemente dos meios que emprega.”
Assim sendo, a Escola Marechal Castello Branco continuará a ser o grande centro intelectual do EB, onde se estuda e se discute nossa atividade fim.
Para encerrar com um tom bem-humorado, só quem viveu alguns anos como aluno, instrutor ou Comandante da ECEME se comunica usando expressões consagradas como: “isso é rolha”; “vagão dormitório”; “o inimigo é dono de sua vontade” e “a Divisão corre riscos”!
Parabéns à ECEME pelas 12 décadas de dedicação ao Exército e uma excelente leitura a todos!
Gen Div R1 Edson Diehl Ripoli1
1 O autor é eterno Comandante da ECEME no período de MAR 18 a FEV 19.
80 ANOS DO INÍCIO DAS OPERAÇÕES DA FEB NO TEATRO DE OPERAÇÕES EUROPEU
Vol. 20 Núm. 33 (2024)
Caros leitores,
A Escola de Comando e Estado-Maior do Exército se regozija em celebrar, por meio desta edição, o início das operações da Força Expedicionária Brasileira (FEB) no Teatro de Operações europeu, durante a Segunda Guerra Mundial (2ª GM). Tal feito pode ser considerado um marco da história nacional que até hoje reverbera em nossa Força Terrestre, trazendo à memória os exemplos de heroísmo e determinação daqueles que combateram em defesa dos preceitos mais caros de liberdade e democracia.
Inicialmente, o texto de abertura desta edição explora os acontecimentos políticos e diplomáticos que antecederam a entrada do Brasil na 2ª GM, bem como, por conseguinte, o envio de tropas para combater em solo italiano com o emprego da FEB. O artigo também ressalta que, a despeito do povo brasileiro possuir um ethos pacífico, ele não se eximiu ao chamado para empregar a força das armas, a fim de defender sua soberania então ameaçada.
Os dois artigos seguintes abordam, de maneira complementar, as adaptações enfrentadas pela infantaria da FEB ocasionadas pelas mudanças doutrinárias da época, em virtude da adoção dos preceitos norte-americanos que substituíram a doutrina militar francesa vigente no Exército Brasileiro à época. Ainda, apresentam o “batismo de fogo” dos herdeiros de Sampaio, demonstrando o valor do soldado de brasileiro frente às agruras enfrentadas, não só nos combates contra os alemães, como também as impostas pelo clima e topografia italianos.
Nesse contexto, o artigo subsequente traz à luz as adversidades enfrentadas pela Força Expedicionária Brasileira para mobilizar, selecionar e capacitar o pessoal que seria empregado no esforço de guerra em território europeu, as quais se manifestaram devido, principalmente, à magnitude territorial do país e às dificuldades decorrentes de um Brasil majoritariamente rural e pouco desenvolvido economicamente. Entretanto, o valor do soldado brasileiro se fez presente e sobrepujou tais obstáculos, fazendo com que a FEB fosse coroada de êxitos durante a campanha da Itália.
O artigo seguinte evidencia as transformações ocorridas pela Artilharia de Campanha do Exército Brasileiro, principalmente em razão da adoção da doutrina militar e materiais norte-americanos, e como tais modificações fizeram com que a flexibilidade, a adaptabilidade, a rapidez e a precisão se converteram em pilares de sua atuação no TO italiano, sendo motivo de orgulho para os Aliados e de temor para o invasor germânico.
Por fim, o último artigo aborda o emprego e a atuação da Arma de Cavalaria da FEB, e os primórdios da motomecanização do Exército Brasileiro para a atuação na 2ª GM, em particular do 1º Esquadrão de Reconhecimento, trazendo ao leitor a relevância dessa fração para o sucesso brasileiro em solo italiano.
Dessa forma, passados oitenta anos, as conquistas e o legado da Força Expedicionária Brasileira em território europeu continuam vívidos, não só para o Exército Brasileiro, como também para o país, principalmente porque essa epopeia brasileira foi erigida e amalgamada com a abnegação e o sacrifício daqueles que, indiscutivelmente, são dignos de estarem no panteão dos heróis da Pátria.
Sendo assim, apresento meus efusivos agradecimentos aos autores, os quais contribuíram com este PADECEME e cujos escritos enalteceram a história, os valores e as tradições castrenses. De igual forma, convido os oficiais que passaram pela Escola Marechal Castello Branco a compartilharem suas experiências com esse Programa de Atualização dos Diplomados da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.
Uma boa leitura a todos!
General de Brigada Mario Eduardo Moura Sassone
Comandante da ECEME
Inteligência Estratégica
Vol. 20 Núm. 32 (2024)
Prezados leitores,
É com imensa satisfação que a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, por meio desta edição, apresenta um tema de considerável relevância: a Inteligência Estratégica. Tal assunto está intimamente ligado à vocação da Força Terrestre, assim como a diversos setores do Estado Brasileiro, ultrapassando e conectando passado, presente e futuro.
No corrente ordenamento mundial, a informação é um dos recursos de poder mais valiosos. Em um ambiente cada vez mais complexo, difuso e dinâmico, a Inteligência Estratégica é uma ferramenta indispensável para que haja compreensão mais aprofundada e para a efetiva capacidade de prospecção de cenários em um ambiente de incertezas, transformando desafios em oportunidades.
Nesse sentido, o primeiro texto explora a geopolítica como um insumo para o assessor estratégico, valendo-se de seus principais paradigmas, além de aspectos significativos da geoeconomia e, sobretudo, da Inteligência Estratégica como recurso para se mitigar riscos, convertendo, contextualizando e traduzindo dados brutos em conhecimento útil para a tomada de decisões eficazes.
Os dois artigos seguintes, com abordagens distintas, enfocam a Inteligência Estratégica como uma ferramenta indispensável no suporte ao planejamento, assessoramento e ao processo decisório, quer seja no âmbito do Exército Brasileiro como também em nível mais amplo. Salientam, ainda, a relevância para outras instituições que se valem de tal recurso por estarem inseridas na “sociedade do conhecimento”, dentro da qual preponderam os domínios do conhecimento e da disseminação célere e massiva de informações.
Os dois últimos textos apresentam, em um primeiro momento, as possíveis contribuições do Sistema de Inteligência de Defesa (SINDE), em nível estratégico, em proveito do Estado Brasileiro, de forma sinérgica não apenas com o Sistema de Inteligência do Exército (SIEx), como também com os órgãos e instituições que compõem o Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN). Por fim, são apresentadas as possíveis soluções para aprimorar a Inteligência Estratégica Militar no SIEx, de forma a oferecer melhores capacidades voltadas à atividade de Inteligência.
Sendo assim, verifica-se que a Inteligência Estratégica surge como uma ferramenta fundamental para a tomada de decisões eficazes, envolvendo um esforço colaborativo entre as diversas fontes de informação e instituições, bem como combinando habilidades analíticas, pensamento crítico e, acima de tudo, uma compreensão profunda do cenário no qual se está inserido.
Dessa forma, agradeço aos autores dos artigos a contribuição profícua com este PADECEME e aproveito a oportunidade para estimular e convidar os oficiais que passaram pela Escola Marechal Castello Branco a compartilharem seus conhecimentos, experiências e opiniões neste Programa de Atualização dos Diplomados da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.
Uma boa leitura a todos!
General de Brigada Mario Eduardo Moura Sassone
Comandante da ECEME
Caxias 220 Anos
Vol. 19 Núm. 31 (2023)
Prezados leitores,
Para a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército é motivo de imensa honra poder prestar singela homenagem, por meio da presente edição, aos 220 anos do nascimento do Marechal Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro.
No presente exemplar, apresentamos artigos elaborados no ano 2022, por grupos de trabalho compostos por oficiais alunos do primeiro ano do Curso de Comando e Estado-Maior, fruto de estudos e discussões dentro da disciplina de História Militar.
Grande estadista e exemplar soldado, Caxias dedicou sua vida integralmente ao serviço da Pátria, com nobreza de propósitos e sem ambições pessoais. Pacificou a Nação, tendo a virtude e o exemplo como norteadores de sua conduta. Entendeu e praticou o sacerdócio que verdadeiramente caracteriza a profissão militar, como nenhum outro, servindo sempre com grandeza e humildade. Foi coerente, corajoso, honrado e generoso. E não menos importante, foi um conciliador, artífice da unidade nacional, que tratou com igual respeito os vencedores e vencidos.
Nos três primeiros artigos, é dada especial atenção à atuação de Caxias como líder militar. No primeiro texto, é apresentado o seu papel na pacificação nacional durante as revoltas ocorridas no Império, e na sequência, a atuação do Duque de Ferro na campanha contra Oribe e Rosas é abordada. A seguir, é apresentado seu desempenho como comandante militar durante a importante Guerra da Tríplice Aliança, e nos últimos três artigos, foi destacado o papel do estadista, soldado e cidadão exemplar, que foi escolhido por suas virtudes para ser o patrono do Exército Brasileiro.
Ao rememorar tão importantes episódios da vida do Duque de Caxias, de nosso glorioso Exército e de nosso amado país, que possamos nos inspirar para vencermos os desafios que se apresentam nos dias atuais, bem como aqueles que certamente serão enfrentados em tempos vindouros. Que nos espelhemos no Pacificador ao buscar sempre a unidade e a conciliação, e ao cultuar e praticar os valores que nos são tão caros. Que sejamos exemplo e esteio para o povo brasileiro, sempre prontos a superar antagonismos, respeitando a legalidade e agindo de forma firme, decidida e justa.
Agradeço e parabenizo os nossos oficiais alunos autores dos artigos desta edição do PADECEME. Aproveito a oportunidade para convidar a todos os oficiais que passaram por esta casa a participarem do Programa de Atualização dos Diplomados da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, compartilhando suas experiências, opiniões e conhecimentos nas publicações da nossa Escola Marechal Castello Branco.
Uma boa leitura a todos!
Conflito Rússia - Ucrânia
Vol. 19 Núm. 30 (2023)
CONFLITO RÚSSIA UCRÂNIA
Bicentenário da Independência do Brasil
Vol. 18 Núm. 29 (2022)
Caros leitores, é com satisfação que a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército comemora o Bicentenário da Independêncial do Brasil, publicando mais uma edição do PADECEME. Neste ensejo, o corrente Programa de Atualização dos Diplomados da ECEME é dedicado a rememorar destacados feitos, bem como os protagonistas da epopéia brasileira pela soberania nacional. Os artigos apresentados nesta edição são fruto de extensa pesquisa por parte do corpo discente desta Escola, com ênfase nos aspectos militares.
A celebração da História e apego aos valores que sustentam a coesão nacional encontram guarida em nossa Escola. Os acontecimentos aqui detalhados levam à reflexão dos desafios superados pelo povo brasileiro em sua emancipação no início do século XIX. Tais feitos se concretizaram em razão da liderança de heróis nacionais movidos pelo patriotismo, sendo exemplos permanente de altruísmo e dedicação ao Brasil.
O primeiro artigo apresenta as tratativas para o reconhecimento da Independência do Brasil junto à sociedade internacional, a conquista gradual da soberania e a diplomacia junto a atores relevantes na Europa e América. A Guerra de Independência é descrita no segundo artigo desta publicação perpassando a movimentação das forças militares e o enfrentamento às resistências no nordeste brasileiro e na Cisplatina, evidenciando que a independência não se configurou como simples rearranjo político. O terceiro artigo, por sua vez, aprofunda-se nos combates na Bahia, com ênfase nas ações em Itaparica e no cerco à Salvador, expondo o custo humano e material para a consolidação deste processo de emancipação.
O detalhamento da doutrina, armamento e logística dos conflitos da Guerra da Independência foram caracterizados no quarto artigo. É patente que o “grito do Ipiranga” respaldou-se no atrito de forças luso-brasileiras, naus e lideranças do Exército e da Marinha Imperial. Já o quinto artigo destaca as personalidades civis e militares cuja conduta e exemplo marcaram a formação brasileira. Fechando esta edição, o sexto artigo ressalta a formação do Exército Brasileiro no Primeiro Reinado e seu desenvolvimento com a participação efetiva na solução de crises e protagonismo nos eventos que moldaram a trajetória histórica percorrida pelo Brasil.
Por fim, agradeço aos autores dos artigos incluídos neste PADECEME e convido aos diplomados a participarem das discussões aqui apresentadas. É mister a compreensão deste precioso período da História que implementou as bases da integridade territorial e é amálgama do povo brasileiro. Nesta celebração do Bicentenário da Independência do Brasil reafirmamos o compromisso desta Casa em divulgar os feitos que marcaram a História brasileira, enquanto estimulamos o culto aos heróis nacionais e valores tão caros à sociedade.
Tenhamos todos uma boa leitura!
Comunicação Estratégica
Vol. 18 Núm. 28 (2022)
EDITORIAL
Prezados leitores, esta edição do PADECEME aprofunda-se na temática Comunicação Estratégica, na medida em que o Exército Brasileiro (EB) amplia os ramos da tradicional Comunicação Social (relações públicas, assessoria de imprensa e divulgação institucional) buscando a sincronia e integração de abordagens nas mídias sociais e sistematiza relações institucionais em todos os níveis. Neste sentido, a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército reuniu no corrente Programa de Atualização dos Diplomados da ECEME parcela dos trabalhos desenvolvidos por discentes do Curso de Política e Alta Administração do Exército do ano de 2021 que se debruçaram na pesquisa desta ação comum às operações terrestres.
O atual ambiente informacional, caracterizado pela imprecisão de cenários e das relações interpessoais, impõe desafios à Instituição e seus integrantes. As abordagens aqui apresentadas evocam discussões sobre a implementação de uma visão abrangente e inédita para a Comunicação Social do EB. Nesta perspectiva, é essencial compreendermos os distintos públicos de interesse da comunicação, fomentarmos o desenvolvimento da resiliência e flexibilidade da Força Terrestre, sob a fiel observância dos princípios éticos e valores que orientam o “Braço Forte – Mão Amiga”.
Inicialmente, o PADECEME retrata a denominada “desinformação” como ferramenta no campo informacional. O primeiro artigo pontua a manipulação da verdade e difusão de narrativas, bem como seus efeitos na Comunicação Estratégica, destacando a urgência de contramedidas para salvaguarda e combate às ações perniciosas neste ambiente. A seguir, a edição traz a relação desta Comunicação Estratégica com as Operações de Informação, numa proposta para o emprego das capacidades relacionadas à informação pelo EB ante o desafio da sinergia e alinhamento dos produtos em todos escalões da Força e níveis da Instituição. Neste contexto de ambiente incerto, o terceiro artigo aborda a Comunicação Estratégica como ferramenta para consecução de objetivos do Exército Brasileiro, em oportunidades que se apresentam na sociedade cada vez mais interconectada, por meio da sistematização deste processo com planejamento e decisão centrados e execução descentralizada.
Com o intuito de expor contrapontos e práticas internacionais, o quarto artigo analisa a Comunicação Estratégica sob o prisma da Organização das Nações Unidas, cujas operações se desdobram em cenários desafiadores de graves crises humanitárias. As questões organizacionais e amplitude da estrutura da ONU revelam a urgência das estratégias de comunicação e práticas para sua implementação. O último artigo explora a teoria e aplicações militares do Controle Reflexivo dentro da Doutrina Militar da Federação da Rússia, e ressalta a convergência de meios com o intuito de buscar a resolução do conflito com economia de meios.
Por fim, agradeço aos autores dos artigos deste PADECEME, ao passo que incito os leitores à reflexão do imperativo da Comunicação Estratégica no atual ambiente informacional. Tal ferramenta acresce capacidades ao ciclo decisório das lideranças do Exército Brasileiro, hoje imbricado pela incerteza. Assim, a coesão da Instituição perpassa também a convergência de ações nos distintos meios de comunicação, centrais na Era da Informação.
Tenhamos todos uma boa leitura!
LÍDERES MILITARES E SUAS CONTRIBUIÇÕES
Vol. 17 Núm. 27 (2021)
Considerando-se que as ações do Exército Brasileiro são consequência da atuação dos líderes existentes em nossas fileiras, em diversos níveis da hierarquia militar e em diferentes contextos sócio-históricos, constata-se que o conhecimento acerca dos líderes militares é de fundamental importância para o entendimento do próprio curso da história do Brasil. Os personagens militares apresentados nesta edição do PADECEME e sua participação efetiva na condução de fatos e na solução de crises ajudaram a moldar a trajetória histórica percorrida pelo Brasil rumo à grandiosidade que hoje o caracteriza.
O primeiro artigo, dedicado ao Marechal Estevão Leitão de Carvalho, aborda a decisiva atuação desse líder militar na redução das fricções do período republicano brasileiro e sua relevante participação na questão da política nacional do petróleo. No segundo artigo desta publicação, é descrita a ação do Marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque na reforma do ensino de formação dos Oficiais do Exército Brasileiro, e sua atuação na escolha da localização da nova capital federal.
O protagonismo do General Pedro Aurélio de Góes Monteiro no cenário político nacional no século XX é descrito no terceiro artigo desta edição, que aborda os movimentos tenentistas, as Revoluções de 1930 e 1932 e o Estado Novo. O quarto artigo é dedicado à atuação do chefe militar e estadista Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, durante o movimento democrático de 1964, sua eleição como chefe do Poder Executivo, em um momento crítico para a nação brasileira, e suas ações em prol da estabilidade política, econômica e social do país. Também acerca do Tenentismo, da Era Vargas e do Movimento Democrático de 64, desponta a relevante trajetória do General Juarez do Nascimento Fernandes Távora, descrita no quinto artigo, em seu apoio às medidas necessárias para a manutenção da legitimidade e de um sistema democrático.
Finalmente, o sexto artigo desta publicação é dedicado ao General Leônidas Pires Gonçalves, Ministro do Exército cuja decisiva atuação no processo de transição democrática, bem como, posteriormente, na implantação do Plano de Modernização da Força Terrestre (FT-90).
Liderança Estratégica
Vol. 17 Núm. 26 (2021)
A liderança militar possui uma inequívoca importância para as Forças Armadas. É nos Estabelecimentos de Ensino do Exército que os líderes militares começam a ser forjados, tendo sua liderança posteriormente lapidada e provada nas Organizações Militares do Exército, em todo o Brasil. Desse modo, reveste-se de importância o estudo da liderança no processo ensino-aprendizagem e no desenvolvimento profissional militar.
Abordando a liderança na esfera não militar, todo país do mundo necessita de líderes capazes em sua sociedade, os quais conduzirão sua gente, empresas, organizações, agências e instituições rumo ao desenvolvimento e ao bem-estar social, aspecto que reflete a importância desse assunto para todo cidadão.
Por este motivo, aliado à relevância do tópico para o processo ensino-aprendizagem no Exército Brasileiro e o desenvolvimento profissional militar, a publicação deste semestre traz artigos variados sobre o tema liderança, escritos por alunos civis do 3ᵒ Curso de Liderança Estratégica, conduzido na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, os quais abordaram, por exemplo, a relação entre liderança e ética, liderança no mundo corporativo e no marketing, dentre outros focos dados ao tema na presente edição.
Desta forma, a Escola acredita cumprir sua destinação de Estabelecimento de Ensino pertencente ao Sistema de Educação e Cultura do Exército, mas também pretende ir além, contribuindo com o debate sobre a formação de líderes para a condução dos destinos do Brasil.
PADECEME - Sesquicentenário da Guerra da Tríplice Aliança
Vol. 16 Núm. 25 (2020)
A Guerra da Tríplice Aliança foi um marco na história do continente. Conflito de grande envergadura, o qual envolveu inúmeros atores ao redor da Bacia do Prata, foi deflagrado por intrincadas questões políticas, econômicas e também militares daquela estratégica região geográfica, no seu tempo. E nada mais precioso do que o estudo dos antecedentes e das consequências deste conflito, objeto maior do PADECEME do 2º semestre de 2020, para destacarmos importantes aspectos que precederam e que sucederam aquele conflito.
PADECEME - A Dimensão Informacional
Vol. 15 Núm. 24 (2020)
O planejamento e a condução de operações militares, mais que nunca, devem ter a dimensão informacional como um dos fatores determinantes da decisão.
O que, na atualidade, é denominado dimensão informacional sempre foi elemento de extrema relevância nas guerras.
Ao mesmo tempo em que trazemos ao leitor tão oportuno assunto em nosso PADECEME do 1ºSem/2020, esperamos que ao final da leitura possamos compartilhar da mesma percepção expressa pelo pensamento: a vitória tática no campo de batalha somente se traduzirá como vitória estratégica e política se também vencermos no campo da pós-verdade.
O SABER NA DEFESA DA PÁTRIA !