A Coleção Meira Mattos é um periódico de natureza acadêmica, sem fins lucrativos, baseada na política de Acesso Aberto e criado para e por toda a comunidade científica da área de Defesa. É um espaço para os estudos de relevância para acadêmicos e profissionais e publicada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME).


PRINCIPAIS INFORMAÇÕES
Periodicidade: quadrimestral
Submissão: fluxo contínuo.
Idiomas: português, inglês e espanhol.
Sistema de avaliação: avaliação por pares duplo-cego.
Custos de processamento e de submissão: gratuito
Política de depósito (Diadorim):
“Azul: Permite o armazenamento da versão pós-print de um artigo Nesta categoria estão as Revistas que permitem que os RI armazenem cópia dos seus artigos, somente na versão pós-print (versão de publicação do artigo, ou seja, versão avaliada pelos pares e corrigida pelos autores e o PDF da Revista)”. Disponível em: Diadorim

 

Endereço e Contatos
Praça General Tibúrcio, 125 Praia Vermelha - Urca
Rio de Janeiro - RJ, Brasil. CEP 22290-270
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DECLARAÇÃO DE ACESSO ABERTO
A Coleção Meira Mattos publica artigos científicos, relatórios e entrevistas em texto completo, permitindo seu acesso imediato, sem embargo e sem restrições para toda a comunidade científica. Como periódico científico de Acesso Aberto, revisado por pares e sem custos aos autores, buscamos ampliar nossa visibilidade regional e global, especialmente no campo da Defesa.

A Coleção Meira Mattos (CMM) está licenciada sob as condições do Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0).

 

HISTÓRICO
A origem da CMM possui vínculo histórico com a atualização profissional e intelectual do Oficial de Estado-Maior. Do mesmo modo que o periódico científico possui como principal função comunicar aos pares os resultados mais recentes de pesquisas de determinada área, as primeiras publicações que antecederam a CMM também divulgavam os assuntos mais recentes sobre as Ciências Militares e seus estudos, principalmente os dedicados à doutrina.

Em 09 de novembro de 1965 é criado o Curso de Atualização dos Diplomados no Curso de Comando e Estado-Maior e Curso de Chefia de Serviço da ECEME (CAECEME). Curso à distância que disponibilizava, através de correspondências, cinco Cadernos com os assuntos: segurança interna, operações em território continental, operações em território extracontinental, cultura profissional e diversos.

O curso com duração de 36 semanas passa a se chamar, em 1974, Curso de Atualização dos Diplomados pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (CADECEME), sem alterações significativas no formato do curso, continua a distribuir cadernos com textos de atualização.

O CADECEME é reformulado em 23 de agosto de 1991, passando a se chamar Processo de Atualização dos Diplomados pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (PADECEME). O formato de curso à distância se torna ciclos de atualização anuais. E seus participantes, Oficiais de Estado-Maior, atualizados através de informativos distribuídos durante o ano.

Os informativos PADECEME contavam com trabalhos elaborados pelos ex-alunos da ECEME e sínteses dos estudos que estavam em andamento. Segundo portaria regulamentadora a atualização seria realizada “através de um fluxo de informações permanente, de maneira informal e assistemática” (BRASIL, 1991).

Havia duas seções principais nos informativos: “Notícias do PADECEME”, abordando os assuntos mais recentes e “Temas para Reflexão”, ampliando o espaço para debates. Os melhores trabalhos eram selecionados e publicados na Revista Defesa Nacional, que também era considerada um instrumento de atualização do oficial.

Apesar de continuar a usar a sigla PADECEME a partir do número dois de 1995, o informativo passa a se chamar Programa de Atualização dos Diplomados pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, substituindo o termo “Processo”.

Somente a partir de 2002 o PADECEME ganha forma de revista. Recebe uma numeração sequencial, torna-se oficialmente quadrimestral e é registrado com o número de ISSN 1677-1885. O envio de trabalhos é estimulado e o foco continua na atualização doutrinária, o debate e o aperfeiçoamento do Oficial.

Posteriormente a revista PADECEME número dez, do primeiro quadrimestre de 2005, inclui em sua capa o subtítulo “Revista Científica da ECEME”, inicia a seção “Artigos Científicos” e busca adequar-se as normas brasileiras ABNT 6021 e 6022. A seleção desses artigos era realizada pelos editores e sua publicação geralmente possuía resumo e palavras-chave em português e inglês. Neste mesmo ano é ampliado o espaço para a divulgação dos trabalhos de conclusão de curso e dos trabalhos apresentados no Encontro Nacional de Estudos Estratégicos, publicados também na seção “Artigos Científicos”.

No ano seguinte, em 2006, a revista se estrutura em duas seções: Artigos Científicos, que busca ampliar o alcance do periódico; e Artigos Selecionados, mantendo o objetivo inicial da publicação de atualização dos diplomados.
Em 2007, a atualização dos diplomados passa a ser realizada através de conteúdo On-line, disponibilizado via Internet. A revista impressa, apesar de manter as duas seções explicitadas anteriormente, reforça os objetivos de ampliar e melhorar a divulgação do conhecimento científico-militar produzido na ECEME.

No número seguinte, ainda em 2007, passa finalmente a se chamar Coleção Meira Mattos: revista das ciências militares. A alteração do título é explicitada no editorial daquele número. Entretanto, a identificação PADECEME continuava na capa, na página de rosto e na ficha catalográfica. Além de não haver mudança do ISSN, nem na numeração, que permaneceu sequencial.

Nos anos seguintes ocorreram poucas alterações. Foram corrigidos alguns itens de apresentação e houve aumento nas contribuições de civis. A divulgação era mantida através do formato impresso e sua distribuição gratuita principalmente para organizações militares e colaboradores.

Com a criação do IMM, em 2011, inicia-se uma nova fase para o periódico científico da ECEME. Visando ampliar a disseminação da revista e adequá-la aos critérios exigidos para uma publicação científica, foi implantando o Sistema de Editoração Eletrônica de Revistas (SEER), software de editoração traduzido e adaptado do Open Journal System (OJS), pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). A equipe editorial é treinada e inicia a implementação do processo editorial eletrônico, incluindo a revisão cega por pares (double blind review). A CMM, publica apenas um número em 2011, já sem a denominação PADECEME.

Em 2012, seu formato impresso sofre alterações, o tamanho da publicação e sua diagramação são melhorados. A partir do número vinte e seis, novos ISSN são atribuídos à publicação. Para a versão impressa foi atribuído o ISSN 2316-4833 e para a versão On-line o ISSN 2316-4891. Durante o processo de aprendizagem e implementação do sistema de avaliação pelos pares, a CMM mantém apenas uma seção, denominada “Artigos”.

Objetivando aumentar a qualidade da publicação, diversas correções de forma foram realizadas em 2013. A numeração permaneceu sequencial, seguindo a alteração do título em 2007. A identificação de volume também foi acrescentada, considerando esse mesmo ano, sendo 2014 o volume número oito. Incluiu-se a legenda bibliográfica e as informações do volume no rodapé de todas as páginas. Os títulos resumos e palavras-chave estão disponíveis no idioma original e também em português e inglês. Diante das diferentes alterações que ocorreram com a CMM, buscou-se um equilíbrio entre as questões técnico-normativas e o vínculo histórico da publicação.

Quanto aos aspectos de conteúdo, foram incluídas as normas internas que explicitam as atividades de todas as funções da equipe editorial. Consolidou-se a revisão cega por pares e a partir do número 30, todos os trabalhos apresentados na seção “Artigos Científicos” foram avaliados por pelo menos dois pareceristas.

A partir de 2014 o periódico se consolida institucionalmente como periódico científico e tenta se estabilizar como uma nova publicação científica no meio acadêmico. Publica regularmente até o ano seguinte, entretanto, em 2016, enfrenta intercorrências, interrompendo sua publicação após o primeiro número, retornando somente em 2018.

Em 2019, com intensos trabalhos de gestão e reestruturação, a CMM estabiliza seu processo editorial e inicia um ciclo positivo da publicação. Executando uma gestão ativa e buscando atender a indicadores de qualidade para periódicos científicos a CMM implementa o DOI, melhora o leiaute dos artigos e volta a publicar regularmente.


General Carlos de Meira Mattos: o soldado geopolítico.*

O general Carlos de Meira Mattos nasceu em São Paulo, em 23 de julho de 1913. Em 1936, sentou praça no Exército como cadete, na Escola Militar do Realengo (Rio de Janeiro/ RJ). Durante a II Guerra Mundial (II GM), no posto de Capitão, combateu as tropas alemãs e italianas nos campos da Itália, integrando a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Sua destemi- da atuação na principal conquista daquela frente – a tomada de Monte Castelo – lhe valeram a Cruz de Combate de Segunda Classe, do Exército Brasileiro, e a medalha Bronze Star, do Exército Norte-Americano.

No retorno ao Brasil, foi diplomado pelas Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e Superior de Guerra (ESG). Em 1965, no posto de Coronel, comandou o Destacamento Brasileiro (FAIBRAS) da Força Interamericana da Organização dos Estados Americanos (OEA), na República Dominicana.

Ascendeu ao generalato em 1968 e em 1969 foi nomeado comandante da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Após esse comando, graças à sua larga experiência na área do ensino, coordenou a comissão que elaborou as diretrizes para a reforma universitária no Brasil. Já General-de-Divisão, em 1973, foi nome- ado Vice-Chefe do extinto Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) e, a seguir, em 1975, Vice-Diretor do Colégio Interamericano de Defesa. Deixou o serviço ativo em 1977, aos 64 anos de idade, após 44 anos de profícuos serviços.

Uma vez na reserva, pode dedicar-se plenamente à sua segunda paixão – a primeira foi o Exército – a produção literária voltada para geopolítica e estratégia militar. Doutor em Ciência Política pela Universidade Mackenzie (São Paulo/SP), nos legou vasta obra nos campos da Geopolítica e da Estratégia Militar, responsáveis pela definição dos Objetivos Nacionais Permanentes (ONP) e pela aplicação do Poder Nacional, respectivamente.
Na Geopolítica, soube como poucos estudar, examinar e analisar a interação entre a geografia e a política, com soluções autóctones para os problemas nacionais, todas dotadas de visão de futuro.
Na Estratégia Militar, contribui para o aperfeiçoamento e atualização das concepções estratégicas nacionais, com credibilidade garantida por suas experiências em combate e seus aprofundados estudos sobre o assunto.

Pensamento Geopolítico

Para muitos estudiosos a maior autoridade em geopolítica na América do Sul, sua linha de pensamento se propõe ser a continuação das idéias expostas pelo então Capitão Má- rio Travassos na obra “Projeção Continental do Brasil”, de 1931, considerada a gênese do pensamento geopolítico brasileiro. Seus estudos não permaneceram estacionados na herança recebida de Mário Travassos avançaram até definir conceitos próprios em torno de uma “geopolítica aplicada”, segundo a qual “as relações geográficas compreendidas devem estar aplica- das na política do governo”.
Abaixo estão citadas as mais destacadas temáticas, entre as tantas que se dedicou, e que compõem seu legado geopolítico dedicado às futuras gerações que visualizem um Brasil potência:

- complexa questão de integração e defesa da Amazônia sob o enfoque geopolítico;
- potencialidades e desafios a superar para tornar o Brasil “potência em expansão”;
- capacidade brasileira em construir uma “Civilização nos trópicos”.
- real consciência das discrepâncias entre as potencialidades e o subdesenvolvimento nacionais;
- elaboração de políticas e estratégias com vistas a corrigir as vulnerabilidades citadas acima;
- relevância do histórico “cerco hispânico” no continente sul americano;
- importância estratégica do Atlântico Sul, aqui visto como “pulmão para o mundo exterior”; e
- reafirmação do conceito que o Brasil reúne todas as condições para tornar- se potência mundial.

O caráter prospectivo do seu pensamento geopolítico tornou-se público a partir de 1960, quando lançou “Projeção Mundial do Brasil”, no qual conferiu maior dimensão político-estratégica aos conceitos do livro de Mário Travassos acima referenciado. Nessa obra, o General trata de temas atuais para a época, tais como: crescimento econômico diagnosticado pelo aumento do Produto Interno Bruto (PIB), incremento da malha viária com prioridade para o anecúmeno interior brasileiro, aproveitamento das riquezas inexploradas, ampliação das responsabilidades com o futuro da segurança regional e alargamento do nosso “perímetro de segurança”.

No que pese o amplo leque de temas com abordagens geopolíticas, expôs em diversos livros sua preocupação central com a integração e a valorização da Amazônia, mas foi em “Uma geopolítica pan-amazônica”, de 1980, que registrou com precisão e profundidade sua atenção com o tema.

Nele o autor realça as três direções históricas que definiram a ocupação da região, estabelece a diferença entre os termos “Amazônia” e “Pan-amazônia” e se detém no segundo, por contemplar a opção geopolítica de criar um es- paço integrador multinacional-regional dos países lindeiros da grande hiléia. Após caracterizar a macro-área, identificou a dicotomia existente entre os formidáveis recursos naturais e a impossibilidade de explorá-los em escala comercial e utilizá-los em prol do Poder Nacional, pela restrição de recursos humanos devido ao ambiente inóspito à vida. Conclui pela seqüência de óbices que transformam a defesa da Amazônia em uma grande vulnerabilidade do Estado brasileiro: sem ocupação não existe aproveitamento; a falta de aproveitamento não atrai a integração e sem integração as possibilidades de defesa tornam-se escassas.

Em “Geopolítica e Trópicos” apresenta uma inovação sobre o controverso tema da capacidade do Brasil de construir uma nação tropical, aprofunda as teorias geopolíticas conheci- das e estabelece a conexão entre o fortalecimento do poder nacional e a capacidade do povo brasileiro em superar os desafios próprios da sua territorialidade (continentalidade). Dessa capacidade dependerá a ascensão do país à categoria de potência do século XXI, realidade ainda defasada por conta das restrições econômicas vividas durante a década de 80, mas que se mantém como um dos ONP brasileiros, haja vista o esforço nacional para a consecução de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

* Publicado originalmente na Revista PADECEME, n. 14, 1º Quadrimestre de 2007. p. 4-6.